O que acontece quando um Poder se omite? Na pauta de hoje, o STF responde em duas frentes: reconhece a inércia legislativa histórica sobre o IGF e mantém uma decisão judicial relevante para o ordenamento jurídico. Os vazios institucionais raramente permanecem vazios - outros atores constitucionais preenchem as lacunas deixadas pela inação. O equilíbrio entre os Poderes, por vezes, se reconfigura para preservar a integridade do sistema.

NA PAUTA DE HOJE

  • STF reconhece omissão do Congresso em regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas.

  • STF: Maioria rejeita recurso e mantém condenação de Bolsonaro.

  • BACEN regulamenta mercado de criptoativos e cria figura da SPSAV.

  • Crise na Oi: MP-RJ sugere que União e ANATEL estudem intervenção; Justiça do Rio de Janeiro decreta a falência da operadora.

  • Disputa regulatória: Veto retira da ANATEL fiscalização do ECA Digital.

STF reconhece omissão do Congresso em regulamentar Imposto sobre Grandes Fortunas

(Imagem: Portal Contábeis)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

O plenário do STF reconheceu, por maioria, que o Congresso Nacional se omitiu ao não regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto no Artigo 153 da Constituição desde 1988. A decisão foi tomada no julgamento da ADO 55, protocolada pelo PSOL em 2019.

Timing político: O processo foi “desengavetado” por iniciativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e julgado na última quinta-feira (06/11). Mesmo após quase quatro décadas, o tributo jamais foi instituído por falta da Lei Complementar necessária.

Entre teoria e prática: A decisão declara formalmente a mora legislativa, mas evita fixar prazo para que o Congresso edite a Lei Complementar. O STF marca posição, mas sem criar uma crise entre poderes que poderia ocorrer caso impusesse um prazo rígido para o Congresso.

STF: 1ª Turma forma maioria para rejeitar recurso de Bolsonaro na AP 2.668

(Imagem: Antonio Augusto / STF)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para rejeitar os embargos de declaração apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro.

No voto de 141 páginas, o relator classifica o recurso como “mero inconformismo” e reafirma que os eventos de 8 de janeiro foram parte de uma organização criminosa comandada pelo ex-presidente.

Por que é importante? A rejeição deste último recurso ordinário na 1ª Turma aproxima o processo do trânsito em julgado, etapa necessária para o início da execução da pena de 27 anos e 3 meses.

Com isso, o Brasil se prepara para um cenário inédito: a prisão efetiva de um ex-presidente da República por crimes contra o Estado Democrático de Direito. O julgamento do recurso segue até o dia 14 de novembro.

BACEN regulamenta mercado de criptoativos e cria a figura da SPSAV

(Imagem: Portal Demarest)

REGULATÓRIO

O Banco Central publicou hoje a Resolução nº 519, estabelecendo o marco regulatório para o mercado de criptoativos no Brasil. A norma cria a figura da Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), que poderão atuar ao lado de instituições já autorizadas pelo BC.

Para investidores: As operações com criptoativos terão limites mais claros. Transferências internacionais ou para carteiras não-custodiadas acima de US$ 100 mil só poderão ser realizadas se a contraparte for autorizada pelo BC. As empresas deverão reportar movimentações suspeitas ao COAF e implementar políticas de KYC (”conheça seu cliente”).

Inspirado no modelo europeu (MiCA), o regulamento busca equilibrar inovação e segurança e entra em vigor em 2 de fevereiro de 2026.

Crise na Oi: MP-RJ recomenda que União e ANATEL avaliem intervenção; Justiça do Rio de Janeiro decreta a falência da operadora.

(Imagem: Portal Melhor Plano)

MERCADO & COMPLIANCE

O MP do Rio de Janeiro recomendou que a União e a ANATEL avaliem medidas de intervenção econômica na Oi, que enfrenta sua segunda recuperação judicial em menos de dez anos, com dívida de cerca de R$ 44 bilhões.

A empresa já declarou à Justiça não possuir recursos para honrar seus compromissos financeiros. No ano passado, foi determinado o afastamento da diretoria da companhia, citando indícios de esvaziamento patrimonial.

A conta da privatização chega ao contribuinte? O parecer do MP-RJ traz à tona o dilema sobre uso de dinheiro público para salvar empresa privada. Há quem veja nisso um contrassenso após a privatização do sistema Telebrás nos anos 1990.

Mas o Ministério Público alerta para um risco social maior: a interrupção de serviços essenciais em regiões onde a Oi é a única operadora, afetando milhões de brasileiros que dependem de seus serviços para trabalho, educação e comunicação.

A Justiça do Rio de Janeiro decretou, hoje, a falência do Grupo Oi. A decisão da 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital foi tomada após o reconhecimento da situação de insolvência técnica e patrimonial do grupo de telecomunicações.

Apesar da decretação da falência, a Justiça autorizou a continuação provisória das atividades da operadora, que deverão ser realizadas pelo administrador judicial da companhia.

Veto presidencial e decreto geram disputa sobre fiscalização do ECA Digital

(Imagem: Luís Osvaldo Grossmann)

REGULATÓRIO

A sanção do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) veio acompanhada de um veto presidencial que restringiu a atuação da ANATEL na fiscalização da lei. O veto retirou da agência o protagonismo previsto pelo Congresso, e um decreto posterior designou a ANPD como autoridade responsável pelo tema.

A Feninfra criticou a decisão, classificando-a como um “golpe na Anatel” e defendendo que a agência possui estrutura mais robusta para fiscalizar big techs.

O impasse opõe ANATEL e ANPD quanto à capacidade técnica para supervisionar plataformas digitais, redes sociais e o uso de inteligência artificial.

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