O STF colocou número onde antes havia silêncio: 35% do subsídio — e R$ 7 bilhões de economia. Nem sempre a Constituição precisa ser reescrita; às vezes, basta ser lida.
NA PAUTA DE HOJE
STF limita penduricalhos a 35% do teto e projeta economia bilionária
Marco legal antifacção entra em vigor com penas de até 40 anos
Plenário do STF decide futuro da CPMI do INSS nesta quinta
Senado criminaliza misoginia por unanimidade e texto vai à Câmara
ANPD avança cooperação sobre IA e proteção de menores em Londres
TST muda jurisprudência e reconhece estabilidade de gestantes em contratos temporários
CADE libera capitalização bilionária da Simpar com aporte da BNDESPar
STF fixa teto de 35% para verbas indenizatórias e estima economia de R$ 7 bilhões

Foto: STF/Flickr
JURISPRUDÊNCIA EM FOCO
O Plenário do STF fixou, por unanimidade, em 35% do subsídio dos ministros o limite máximo para verbas indenizatórias pagas a magistrados e membros do Ministério Público. O teto de R$ 46.366,19 continua intacto — mas os acréscimos que o inflavam, não.
A tese estabelece um rol taxativo: apenas verbas expressamente previstas em lei federal podem ser pagas fora do teto. Ficam vedadas criações por atos administrativos ou leis estaduais.
Benefícios declarados inconstitucionais:
Auxílio-alimentação sem previsão legal federal
Auxílio-moradia em duplicidade
Auxílio-combustível
Licenças compensatórias sem amparo normativo
A economia estimada é de R$ 7,3 bilhões ao ano. A nova sistemática entra em vigor a partir de maio de 2026. O ministro Flávio Dino ficará responsável pelo acompanhamento estrutural da implementação, com auditoria do CNJ e do CNMP.
Lei Antifacção é publicada no DOU e entra em vigor com penas de até 40 anos

Foto: Agência Senado/Flickr
LEGISLATIVO NACIONAL
A Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção ou Lei Raul Jungmann, foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (25). A norma institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil.
A legislação define facção criminosa como organização de três ou mais pessoas que empregue violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios e intimidar populações. As penas previstas são de reclusão de 20 a 40 anos.
Restrições impostas a lideranças de facções:
Vedação de anistia, indulto e fiança
Proibição de liberdade condicional
Progressão de regime somente após cumprimento de até 85% da pena em regime fechado
O presidente Lula vetou dois dispositivos: um que ampliava indevidamente o escopo de aplicação e outro que redirecionaria bens apreendidos aos estados. A lei homenageia o ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann, falecido em janeiro deste ano.
STF julga prorrogação da CPMI do INSS e pode impor derrota a André Mendonça

Foto: STF/Flickr
JURISPRUDÊNCIA EM FOCO
O Plenário do STF analisou nesta quinta-feira (26) o referendo da liminar proferida pelo ministro André Mendonça que determinou a prorrogação da CPMI do INSS por mais 120 dias. A comissão investiga fraudes em empréstimos consignados de aposentados e pensionistas.
A liminar foi concedida no Mandado de Segurança 40799, impetrado por parlamentares que alegavam omissão da Mesa Diretora do Congresso em processar o requerimento de prorrogação. Sem a decisão, a CPMI encerraria seus trabalhos em 28 de março.
A tendência apontada antes da sessão era de derrota do relator, com a Corte podendo cassar a liminar — o que beneficiaria o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O caso opõe prerrogativas do Judiciário e do Legislativo na condução de CPIs.
Senado aprova criminalização da misoginia com 67 votos e nenhum contrário

Foto: Agência Senado/Flickr
LEGISLATIVO NACIONAL
O Senado Federal aprovou na terça-feira (24), por 67 votos a zero, o projeto de lei que criminaliza a misoginia no Brasil. A proposta insere o crime no rol da Lei nº 7.716/1989 (Lei do Racismo), ao lado de raça, etnia, religião e procedência nacional.
A misoginia passa a ser definida como conduta que expresse ódio ou aversão contra mulheres. A pena prevista é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.
De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e relatoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), o texto segue agora para análise da Câmara dos Deputados. A relatora citou que o Brasil registrou quase 7 mil tentativas de feminicídio em 2025 e alertou para o crescimento de movimentos de ódio contra mulheres nas redes.
ANPD conclui missão em Londres com foco em ECA Digital e governança de IA

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REGULATÓRIO
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados concluiu, na quarta-feira (25), missão institucional em Londres. A delegação, liderada pelo diretor-presidente Waldemar Ortunho Junior, conduziu reuniões bilaterais com o ICO (Information Commissioner's Office) e a Ofcom (Office of Communications).
O foco foi a implementação do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) e a troca de experiências sobre proteção de crianças em ambientes digitais. A regulação britânica — Online Safety Act — serviu como referência comparativa.
A ANPD também participou do Global Government Forum Innovation, um dos eventos internacionais de referência sobre inteligência artificial e transformação digital no setor público. A missão reforça a inserção internacional da agência em fóruns de governança de IA.
TST muda jurisprudência e garante estabilidade a gestantes em contratos temporários

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JURISPRUDÊNCIA EM FOCO
O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho decidiu que gestantes contratadas por meio de trabalho temporário têm direito à estabilidade provisória no emprego. A decisão altera a jurisprudência da Corte, que desde 2019 negava esse direito em contratos por prazo determinado.
O novo entendimento alinha-se à tese de repercussão geral fixada pelo STF em outubro de 2023. O caso concreto envolveu uma promoter contratada por empresa de mão de obra temporária, julgado pela Segunda Turma do TST.
A votação foi concluída na segunda-feira (23), com maioria dos ministros acompanhando o relator Breno Medeiros. O momento em que a nova regra passará a valer ainda será definido em sessão futura.
CADE aprova capitalização bilionária da Simpar com BNDESPar sem restrições

Foto: Simpar
MERCADO & COMPLIANCE
A Superintendência-Geral do CADE aprovou, sem restrições, a operação de capitalização da Simpar e de suas controladas Vamos e Movida, com ingresso da BNDESPar como investidora âncora. O despacho foi publicado no DOU na quarta-feira (25).
O aumento de capital das três empresas pode alcançar valor combinado de R$ 2,2 bilhões a R$ 3,1 bilhões. A controladora JSP Participações aportará entre R$ 188 milhões e R$ 300 milhões.
Ao final das transações, a BNDESPar terá até 10% de participação em cada companhia, subscrevendo no máximo 50% das ações emitidas. A operação sinaliza retomada da atuação do braço de participações do BNDES em empresas de logística e mobilidade.
PAUTINHAS
Homofobia praticada antes de julgamento do STF não é punível como racismo. O ministro Luís Roberto Barroso acolheu argumento de irretroatividade e determinou o trancamento de ação penal contra mulher denunciada por conduta homofóbica em 2018, antes da equiparação fixada na ADO 26 (junho de 2019).
STJ anula busca pessoal sem fundada suspeita e absolve réus por tráfico. O ministro Reynaldo Soares da Fonseca entendeu que a presença dos acusados em local conhecido como ponto de venda de drogas, por si só, não autoriza revista pessoal.
AGU pede ao STF esclarecimentos sobre decisão do marco temporal. Embargos de declaração questionam obrigação de demarcação por antiguidade com prazo de dez anos e prazo de um ano para novas reivindicações indígenas.
CADE aprova aquisição da Raízen GD pela Gera Energia. A aprovação sem restrições marca mais um movimento de desinvestimento do Grupo Raízen no segmento de geração solar distribuída.
A Relatoria.
De segunda a sexta, no seu e-mail.
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