O dever de preservar: Quando o Estado julga a si mesmo

A PGR que pede prisão domiciliar para quem foi condenado por tentar subverter a ordem constitucional não defende o condenado — defende o princípio de que nenhuma pena pode exceder o corpo que a suporta. É da qualidade das instituições que se medem os limites entre punir e destruir.

NA PAUTA DE HOJE

  • PGR recomenda ao STF domiciliar para Bolsonaro e invoca dever de preservar a vida

  • Tribunal do Júri do Rio de Janeiro começa a ouvir o caso Henry Borel, cinco anos após a morte do menino

  • Receita Federal abre hoje o prazo para envio da declaração do IRPF 2026

  • STF pauta para quarta o julgamento dos penduricalhos com base na nota técnica dos Três Poderes

PGR defende prisão domiciliar para Bolsonaro e cita dever estatal de preservar a vida

Foto: STF

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, enviou parecer ao STF na manhã desta segunda-feira (23) recomendando a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde 13 de março com broncopneumonia aspirativa e lesão renal aguda.

No parecer, Gonet fundamentou a recomendação no dever constitucional de preservação da integridade física do preso. Segundo o texto, o quadro clínico de Bolsonaro demanda:

  1. Monitoramento contínuo incompatível com a estrutura do sistema penitenciário

  2. Cuidados familiares que complementem o tratamento médico

  3. Flexibilização da Lei de Execução Penal, com manutenção integral da pena

A manifestação não vincula o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que já negou cinco pedidos da defesa e não fixou prazo para nova decisão. Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe, completou 71 anos na UTI no último sábado (21).

Caso Henry Borel: Tribunal do Júri do Rio inicia julgamento após cinco anos

Foto: STJ

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

O 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro deu início nesta segunda-feira (23), às 9h, ao julgamento dos acusados pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em 8 de março de 2021 na Barra da Tijuca.

Os réus são Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho), ex-vereador e padrasto da criança, acusado de homicídio triplamente qualificado, e Monique Medeiros, mãe de Henry, que responde por homicídio por omissão de socorro. Ambos também são acusados de tortura, coação e fraude processual.

O laudo do IML apontou 23 lesões por ação violenta no corpo da criança, incluindo laceração hepática e hemorragia interna. As investigações concluíram que Henry era submetido a rotinas de tortura pelo padrasto, com conhecimento da mãe.

Sete jurados formam o Conselho de Sentença. O julgamento deve se estender por vários dias.

Receita Federal abre hoje o prazo da declaração do IRPF 2026

Foto: Banco Central do Brasil

REGULATÓRIO

A Receita Federal abriu nesta segunda-feira, 23 de março, o prazo para envio da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física referente ao exercício 2026, ano-calendário 2025. O prazo vai até 29 de maio.

O fisco estima receber 44 milhões de declarações neste ano. O programa gerador está disponível desde 20 de março. As restituições serão pagas em quatro lotes:

  1. 29 de maio — prioridade para idosos, PcDs e contribuintes com Pix

  2. 30 de junho

  3. 31 de julho

  4. 31 de agosto

Quem perder o prazo fica sujeito a multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido, além de pendência no CPF. A nova faixa de isenção para rendimentos até R$ 5.000 mensais, vigente desde janeiro de 2026, só terá efeito na declaração de 2027.

STF pauta para quarta o julgamento dos penduricalhos com nota técnica dos Três Poderes

Foto: Agência Brasil

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

O Plenário do STF tem na pauta de quarta-feira (25) o julgamento de mérito do recurso extraordinário com repercussão geral sobre os penduricalhos — verbas indenizatórias pagas acima do teto de R$ 46,3 mil a magistrados e membros do Ministério Público. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

A comissão técnica dos Três Poderes concluiu na sexta-feira (20) a nota técnica que subsidiará a decisão. Entre as alternativas em discussão está a manutenção da suspensão com regra de transição até que o Congresso edite lei unificada sobre o teto.

Na mesma sessão, o Plenário deve julgar em conjunto as ADIs 6.198, 6.164 e 7.258, ajuizadas pela PGR contra leis estaduais de Mato Grosso, Rio de Janeiro e Santa Catarina que preveem pagamento de honorários e indenizações a procuradores — tema diretamente ligado à controvérsia dos penduricalhos.

PAUTINHAS

A Relatoria | De segunda a sexta, no seu e-mail.

Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui opinião legal.

Continue lendo