Um juiz flagrado beneficiando milicianos ganhava como prêmio uma aposentadoria vitalícia — até hoje, quando Flávio Dino decidiu que infração grave deve custar o cargo, não garantir o descanso remunerado.
NA PAUTA DE HOJE
Dino põe fim à aposentadoria compulsória como punição a magistrados
Fachin paralisa toda a advocacia pública federal por cinco dias após colapso no datacenter da AGU
Receita Federal abre temporada do IR com prazo mais curto e quatro lotes de restituição
Mercado recalibra expectativa e agora aposta em corte de apenas 0,25 ponto na Selic
Vorcaro vai para ala médica do presídio federal após STF manter prisão
CPMI do INSS aciona o Supremo para não morrer antes do relatório final
Dino extingue aposentadoria compulsória como punição a magistrados

Foto: STF
JURISPRUDÊNCIA EM FOCO
O ministro Flávio Dino decidiu nesta segunda-feira que a aposentadoria compulsória não pode mais ser aplicada como sanção disciplinar a magistrados. A tese fixada na decisão monocrática é direta:
Não existe mais aposentadoria compulsória como punição a magistrados, em face da EC 103/2019. Infrações graves devem resultar em perda do cargo.
O caso concreto envolve um juiz da comarca de Mangaratiba (RJ), punido pelo CNJ com aposentadoria compulsória após condenação administrativa por liberar bens bloqueados sem parecer do Ministério Público e retardar processos deliberadamente para beneficiar policiais militares ligados a milícias.
Dino fundamentou a decisão na Reforma da Previdência de 2019, que eliminou qualquer critério de aposentadoria de servidores que não levasse em conta apenas idade ou tempo de contribuição — tornando a previsão de aposentadoria punitiva inconstitucional. O CNJ foi determinado a rejulgar o caso. Se mantiver a punição máxima, deverá encaminhar ação judicial para desligamento do magistrado.
A decisão é monocrática e será submetida ao Plenário do STF, sem data definida.
Fachin paralisa prazos de toda a advocacia pública federal até 20 de março

Foto: STF
REGULATÓRIO
O presidente do CNJ e do STF, ministro Edson Fachin, determinou a suspensão dos prazos processuais em todos os tribunais e conselhos do país entre 16 e 20 de março. A medida atinge o conjunto de processos em que atuam a Procuradoria-Geral da União, a Procuradoria-Geral Federal e demais órgãos da Advocacia-Geral da União — e, portanto, toda a advocacia pública federal.
A causa é a indisponibilidade recorrente do datacenter da AGU, que desde 27 de fevereiro enfrenta lentidão, intermitência e quedas. O sistema mais afetado é o Sapiens, plataforma central de gestão e acompanhamento processual da AGU, sem a qual os procuradores ficam impossibilitados de peticionar e acompanhar prazos.
A única exceção são processos em trâmite no próprio STF. Fachin fundamentou a decisão por analogia ao art. 224, §1º, do CPC e ao art. 10, §2º, da Lei 11.419/2006. Os prazos voltam a correr a partir de 23 de março.
Receita anuncia regras do IRPF 2026: prazo começa dia 23 e restituição terá quatro lotes

Foto: Ministério da Fazenda
REGULATÓRIO
A Receita Federal realizou nesta segunda-feira, no auditório do Ministério da Fazenda, a coletiva de imprensa com as regras da declaração do Imposto de Renda 2026. O prazo de entrega vai de 23 de março a 29 de maio — janela mais curta que a dos anos anteriores.
Estão obrigados a declarar os contribuintes que receberam, em 2025:
Rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00
Rendimentos isentos ou tributados na fonte acima de R$ 200.000,00
Receita bruta em atividade rural superior a R$ 177.920,00
Operações em bolsa com soma acima de R$ 40.000,00
O calendário de restituição passa de cinco para quatro lotes, com pagamentos entre 29 de maio e 28 de agosto. Um depósito especial de cashback do IRPF será feito automaticamente em 15 de julho. A multa por atraso parte de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.
A nova faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil, aprovada em 2025, não se aplica a esta declaração — seus efeitos só serão sentidos no exercício de 2027.
Copom inicia reunião com expectativa de primeiro corte na Selic desde 2024

Foto: Ministério da Fazenda
MERCADO & COMPLIANCE
O Comitê de Política Monetária do Banco Central inicia nesta terça-feira a reunião que pode marcar o início do ciclo de flexibilização dos juros. O mercado projeta um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano — o patamar atual é o mais alto desde julho de 2006.
Na semana passada, a expectativa era de redução de 0,5 ponto, mas a escalada nos preços do petróleo decorrente do conflito no Irã pressionou as projeções de inflação. O IPCA estimado para 2026 subiu de 3,91% para 4,1%, segundo o Boletim Focus divulgado hoje.
Projeções do mercado (Focus, 16/03):
Selic ao fim de 2026: 12,25%
Dólar ao fim de 2026: R$ 5,40
PIB 2026: 1,83%
A decisão será anunciada na quarta-feira, 18, após o fechamento dos mercados.
Vorcaro é transferido para ala médica após STF manter prisão preventiva

Foto: STF
JURISPRUDÊNCIA EM FOCO
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi transferido da cela de isolamento para a ala de saúde da Penitenciária Federal de Brasília na sexta-feira, 14. A mudança teve como objetivo preservar a integridade física do preso.
A transferência ocorre um dia após a 2ª Turma do STF manter a prisão preventiva, no julgamento virtual que referendou a cautelar do ministro André Mendonça.
Vorcaro foi preso em 4 de março na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. Inicialmente custodiado na Penitenciária de Potim (SP), foi transferido para o presídio federal de segurança máxima em Brasília no dia 6, após a PF alegar risco de interferência nas investigações. O caso envolve sequestro e bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões.
CPMI do INSS recorre ao STF para prorrogar prazo de investigações

Foto: Agência Senado
LEGISLATIVO NACIONAL
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), impetraram mandado de segurança no STF para garantir a prorrogação dos trabalhos da comissão. O prazo atual expira em 28 de março.
O impasse é procedimental: a Mesa do Congresso Nacional não recebeu nem leu o requerimento de prorrogação em sessão conjunta — etapa exigida para a extensão do mandato. Os parlamentares sustentam que o pedido reúne o número de assinaturas exigido por lei (ao menos um terço dos congressistas) e pedem 120 dias adicionais.
A comissão investiga descontos não autorizados em aposentadorias para pagamento de mensalidades a associações por serviços inexistentes. Em paralelo, Viana anunciou que convidará o ministro Flávio Dino para prestar esclarecimentos sobre decisão que suspendeu medidas investigativas aprovadas pela CPMI.
PAUTINHAS
Recuperações extrajudiciais batem recorde histórico no Brasil. Selic elevada e alterações legislativas impulsionaram o uso do instrumento. Raízen (R$ 65,1 bilhões) e GPA (R$ 4,5 bilhões) são os casos mais expressivos, ambos homologados pela Justiça de São Paulo.
ADI 7.265 gera onda de reclamações no STF sobre cobertura de planos de saúde. Operadoras questionam decisões judiciais que determinam tratamentos fora do rol da ANS sem observar os parâmetros fixados pelo Supremo. Nas Reclamações 91.264 e 91.194, o tribunal cassou acórdãos de TJs que ignoraram os critérios do precedente.
Mercado reduz projeção da Selic para 12,25% ao fim de 2026. Boletim Focus desta segunda-feira traz revisão para baixo, mas IPCA projetado sobe de 3,91% para 4,1% com pressão do petróleo e conflito no Irã.
A Relatoria | Sua dose diária de inteligência jurídica.
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Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui opinião legal.