Enquanto o STJ fixa o passado na tese do JCP extemporâneo, a OAB enfrenta o futuro ao reagir à mineração de dados automatizada. O Direito, entre ambos, tenta se reconhecer no espelho – dividido entre a segurança da forma e a urgência do algoritmo.

NA PAUTA DE HOJE

  • STJ define tese vinculante sobre dedução de JCP extemporâneo.

  • OAB aciona PF contra “data mining” automatizado em processos para golpes.

  • TST debate se Justiça do Trabalho pode executar sócios de empresas em Recuperação Judicial.

  • STF: Relator vota sobre jornada de professores e tempo de recreio.

  • STJ garante a militares transgêneros direito a nome social e permanência na ativa.

1ª Seção do STJ fixa tese favorável à dedução de JCP extemporâneo

(Imagem: Freepik)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

A Primeira Seção do STJ definiu, em julgamento unânime sob o rito dos recursos repetitivos, que empresas podem deduzir Juros sobre Capital Próprio da base de cálculo do IRPJ e CSLL, mesmo quando calculados sobre lucros de exercícios anteriores.

O que isso significa? Contribuintes discutiam com a Receita Federal a possibilidade de deduzir os Juros sobre Capital Próprio (uma forma de remuneração aos acionistas)mesmo quando a deliberação societária fosse no exercício posterior ao da apuração dos lucros. O STJ concordou com os contribuintes e confirmou essa possibilidade.

A tese, que tem impacto bilionário, deverá ser seguida pelo Carf e por todas as instâncias judiciais, encerrando a divergência.

OAB/SP aciona PF contra esquema automatizado de acesso a processos

(Imagem: Jornal de Bomfim)

MERCADO & COMPLIANCE

A OAB de São Paulo denunciou à Polícia Federal um esquema de acessos massivos e robotizados aos sistemas eletrônicos da Justiça, com mais de 200 mil consultas automatizadas identificadas em apenas dois dias.

Como os criminosos estão usando a tecnologia contra o sistema judicial? Os ataques utilizam credenciais de advogados e infraestrutura estrangeira para extrair dados que alimentam, entre outras práticas ilícitas, o cada vez mais comum “golpe do falso advogado”.

Em outra frente contra golpes envolvendo o âmbito da advocacia, a Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para projeto de lei que combate fraudes como as dos falsos advogados.

TST debate execução de sócios de empresas em Recuperação Judicial

(Imagem: Rmcarvalhobsb / AdobeStock)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) realiza audiência pública nesta quinta-feira (13/11) para debater o Tema 26 de seus Incidentes de Recursos Repetitivos, relativo ao incidente de desconsideração da personalidade jurídica de empresas em Recuperação Judicial.

O que está sendo discutido? A discussão no TST está concentrada em três pontos: (i) a Justiça do Trabalho tem competência para processar e julgar o incidente de desconsideração no caso de empresas em Recuperação Judicial? (ii) a Lei nº 14.112/2020 (Reforma da Lei de Recuperações e Falências) impactou essa competência da Justiça do Trabalho? (iii) se confirmada a competência da Justiça do Trabalho, ela deve aplicar a “teoria menor” ou a “teoria maior” da desconsideração da personalidade jurídica?

O debate, convocado pelo relator, ministro Amaury Rodrigues, irá colher subsídios para que haja o julgamento dessa matéria, assim encerrando a controvérsia que ainda paira sobre ela.

STF inicia julgamento sobre intervalo de recreio na jornada de professores

(Imagem: Prefeitura de Curitiba)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, em 12 de novembro, o julgamento da ADPF 1058, que discute se o intervalo de recreio deve ser computado na jornada de trabalho dos professores.

Mas qual é o verdadeiro dilema jurídico por trás dessa questão? O TST entende que o recreio é tempo à disposição do empregador. Já o relator, ministro Gilmar Mendes, considerou inconstitucional essa “presunção absoluta”, propondo que o ônus da prova recaia sobre o empregador, mas ainda assim possa ser afastado mediante comprovação.

O julgamento, que será retomado nesta quinta-feira, impactará diretamente os estabelecimentos privados de ensino, e, principalmente, os professores.

STJ garante a militares transgêneros nome social e permanência na ativa

(Imagem: Estevam / Revista Sociedade Militar)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

A 1ª Seção do STJ decidiu por unanimidade, em sede de Incidente de Assunção de Competência (IAC), que militares transgêneros têm direito ao uso do nome social e à permanência nas Forças Armadas.

O que estava sendo debatido? Após o TRF-2 garantir o direito dos militares transgêneros à permanência no serviço militar e ao uso do nome social, houve recurso da União que argumentou que a decisão violaria a legalidade e a hierarquia militar.

No entanto, os argumentos da União não convenceram o STJ, que, ao decidir o IAC nº 20, formou precedente vinculante no sentido de que todos os registros e comunicações internas das Forças Armadas devem ser atualizados para refletir a identidade de gênero dos militares, não podendo ser a transgeneridade utilizada como fundamento para afastá-los da ativa.

PAUTINHAS

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Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui opinião legal.

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