Os fatos de hoje expõem a tensão central do Estado de Direito: enquanto o Judiciário julga agentes de elite acusados de usar a força para subverter a ordem, o Legislativo e o próprio Judiciário debatem como ampliar essa mesma força para combater o crime organizado.

NA PAUTA DE HOJE

  • STF inicia julgamento de militares por suposto plano de golpe.

  • Tensão entre Poderes marca debate do PL sobre crime organizado.

  • STJ anula condenação bilionária da Petrobras por vício processual.

  • CNJ eleva cotas raciais para 30% em concursos do Judiciário.

  • STJ estende prazo para União regulamentar cannabis medicinal.

  • Aluguéis vincendos são devidos em despejo mesmo sem pedido expresso.

STF inicia julgamento de militares por suposta trama golpista

(Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, em 11 de novembro de 2025, o julgamento de dez integrantes das forças de segurança acusados de monitorar e planejar ataques contra o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula.

Documentos da “Operação Copa 2022” e do plano “Punhal Verde e Amarelo”, encontrados pela PF, revelam que o grupo de elite do Exército chegou a perseguir fisicamente as autoridades no final de 2022, após a derrota eleitoral de Bolsonaro.

Para a PGR, o monitoramento demonstra como o plano de golpe foi colocado em execução, e não apenas planejado. Os votos serão proferidos nos dias 18 e 19 de novembro.

Debate sobre PL do Crime Organizado envolve STF e Câmara

(Imagem: Wesley Amaral / Câmara dos Deputados)

LEGISLATIVO NACIONAL

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, garantiu que não permitirá a perda de prerrogativas da Polícia Federal no projeto que combate organizações criminosas.

Por que tanta polêmica em torno do texto?

“Dizer que a Câmara vai tirar o poder da PF não é verdade! Vamos fortalecer o MP nos estados e as polícias estaduais”, afirmou após reunião com Alexandre de Moraes e Paulo Gonet.

O relatório de Guilherme Derrite determinou que investigações contra facções são responsabilidade primária das polícias civis, com a PF atuando apenas em casos interestaduais ou a pedido de governadores. Motta também rejeitou equiparar facções a terrorismo: “Não vamos permitir questionamentos sobre nossa soberania.”

STJ anula acórdão bilionário contra Petrobras por vício processual

(Imagem: André Motta de Souza / Agência Petrobras)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

A 3ª Turma do STJ anulou a condenação bilionária imposta à Petrobras pelo TJ-RJ no caso dos navios-sonda afretados da Paragon Offshore, determinando novo julgamento.

O tribunal identificou que o TJ-RJ convocou juízes específicos para o caso, violando o artigo 942 do CPC, que exige a chamada de desembargadores da câmara imediatamente superior quando há divergência no julgamento.

Relator inicial, o Ministro Moura Ribeiro mudou sua posição durante o julgamento, aderindo ao entendimento de Cueva para reafirmar que “não se pode justificar o descumprimento de uma norma legal com base em costume regimental“ do tribunal.

CNJ eleva para 30% cotas raciais em concursos do Judiciário

(Imagem: Romulo Serpa / Agência CNJ)

REGULATÓRIO

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou por unanimidade, em 11 de novembro, a nova resolução (Ato Normativo 0006531-58.2025.2.00.0000) que atualiza a política de cotas em concursos do Judiciário.

A reserva de vagas foi elevada de 20% para 30%. Além disso, a política foi expandida para incluir indígenas e quilombolas como beneficiários, além de pretos e pardos.

Uma das principais alterações processuais é a regra para concursos regionalizados. A resolução determina que a cota de 30% seja aplicada sobre o total de vagas do edital para cada cargo ou especialidade, e não sobre o número fracionado de vagas por região.

STJ prorroga prazo para União regulamentar cannabis medicinal

(Imagem: Freepik / Arte Migalhas)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

A Primeira Seção do STJ prorrogou até 31 de março de 2026 o prazo para que a União e a Anvisa finalizem a regulamentação do plantio de cannabis para fins medicinais e farmacêuticos.

Será este o último adiamento?

A decisão veio após constatação de que, apesar de mais da metade das etapas previstas terem sido cumpridas, o prazo anterior (setembro/2025) se mostrou insuficiente. A relatora, Ministra Regina Helena Costa, reconheceu a “complexidade do tema” ao aceitar o novo cronograma proposto pelos órgãos federais.

Despejo: condenação inclui aluguéis vincendos, define STJ

(Imagem: Freepik)

JURISPRUDÊNCIA EM FOCO

A Terceira Turma do STJ fixou importante precedente para proprietários de imóveis: inquilinos despejados por inadimplência devem pagar todos os aluguéis até a efetiva desocupação, mesmo que isso não tenha sido expressamente solicitado na petição inicial.

Mas e se a Justiça demorar anos para julgar o caso?

A decisão, relatada pelo Ministro Villas Bôas Cueva, considera que o artigo 323 do CPC torna o pedido de cobrança dos aluguéis vincendos “implícito” por se tratar de prestações periódicas, evitando que o locador precise entrar com novas ações para cobrar valores que surgiram durante a tramitação do processo.

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Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui opinião legal.

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