Na democracia, a urgência dos fatos às vezes consegue o que décadas de discurso não alcançam.
O pacto inédito entre Executivo, Legislativo e Judiciário contra o feminicídio revela um paradoxo institucional: a separação de poderes — pilar da democracia liberal — às vezes precisa ser superada pela cooperação quando a tragédia social escala além do alcance de qualquer poder isolado. 1.470 mortes em 2025 não são apenas estatística; são o limite onde a autonomia institucional cede espaço à responsabilidade compartilhada. A pergunta que fica: se a união dos Três Poderes é possível diante do feminicídio, por que permanece tão rara diante de outras crises estruturais?
NA PAUTA DE HOJE
Três Poderes assinam pacto inédito contra feminicídio após recorde de 1.470 mortes em 2025
STF forma maioria de 5 votos para validar regras do CNJ sobre redes sociais de magistrados
Receita Federal publica ADI com regras transitórias para contagem de prazos processuais
STJ define que honorários em execução prescrita devem considerar proveito econômico do devedor
OAB envia ao STF balizas para elaboração de Código de Ética dos ministros
TSE conclui audiências públicas sobre IA, financiamento e violência política nas Eleições 2026
Consulta ao Abono Salarial 2026 é liberada para 25,4 milhões de trabalhadores
CPMI do INSS retoma trabalhos com Banco Master na mira
LEGISLATIVO NACIONAL
Três Poderes firmam pacto inédito de enfrentamento ao feminicídio

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Os chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário assinaram em 04 de fevereiro o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, no Palácio do Planalto. É a primeira vez que os Três Poderes se unem formalmente para combater a violência letal contra mulheres.
Participaram da cerimônia o presidente Lula, o ministro Edson Fachin (presidente do STF e CNJ), o senador Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e o deputado Hugo Motta (presidente da Câmara). O Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, recorde histórico.
O acordo institui um Comitê Interinstitucional de Gestão com representantes permanentes de cada Poder. A iniciativa prevê atuação coordenada em prevenção, atendimento às vítimas e responsabilização de agressores.
JURISPRUDÊNCIA EM FOCO
STF forma maioria para validar limites a magistrados em redes sociais

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo.
O Plenário do STF retomou em 04 de fevereiro o julgamento das ADIs 6.293 e 6.310, que questionam a constitucionalidade da Resolução 305/2019 do CNJ. A norma estabelece diretrizes para uso de redes sociais por magistrados.
Cinco ministros votaram pela validade da resolução: Alexandre de Moraes (relator), Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin e Rosa Weber. O julgamento foi suspenso para aguardar o voto de Luiz Fux, ausente por motivos de saúde.
O relator afirmou que "o que não pode no real, não pode no virtual" e citou como condutas incompatíveis com a magistratura o "comentarismo político" em programas de televisão e atividades de "coach". A Ajufe e a AMB contestam a norma por criar sanções disciplinares sem previsão em lei complementar.
STJ: honorários em execução prescrita devem considerar proveito econômico do devedor

Imagem: Freepik.
A Terceira Turma do STJ decidiu, por maioria, que nos casos de extinção da execução por prescrição, o proveito econômico obtido pela parte executada deve ser considerado para arbitramento dos honorários advocatícios sucumbenciais (art. 85, §2º, CPC/2015).
A ministra Daniela Teixeira, cujo voto prevaleceu, destacou que mesmo com a extinção pela prescrição, há benefício econômico ao devedor correspondente à desnecessidade de pagar o débito. A decisão foi proferida em 04 de fevereiro.
A tese impacta diretamente a advocacia contenciosa cível. Até então, havia divergência sobre a base de cálculo dos honorários quando a execução era extinta sem pagamento ao credor.
STJ autoriza terceiro com interesse jurídico a pedir homologação de divórcio estrangeiro

Imagem: LexLegal.
A Corte Especial do STJ reafirmou que a homologação de sentença estrangeira pode ser solicitada por qualquer pessoa que demonstre interesse jurídico direto na decisão, não apenas pelas partes do processo original.
O precedente reconheceu a legitimidade de uma brasileira em solicitar homologação de divórcio proferido no exterior. A decisão amplia o rol de legitimados para esse procedimento de jurisdição contenciosa.
CPMI do INSS retoma trabalhos com Banco Master na mira

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado.
Fonte: Agência Senado
A CPMI do INSS retomou os trabalhos em 05 de fevereiro com calendário definido de reuniões deliberativas e depoimentos. O relatório final está previsto para 23 de março de 2026.
O depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi reagendado para 26 de fevereiro após pedido dos advogados. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, avisou que, se o banqueiro não comparecer, poderá ser conduzido coercitivamente.
A CPMI votará quebras de sigilo do banco nas próximas sessões. A investigação apura fraudes em consignados do INSS.
REGULATÓRIO
Receita Federal publica regras transitórias para prazos processuais

Foto: FENACON.
A Receita Federal publicou o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 2/2026, definindo regras temporárias para contagem de prazos processuais até que os sistemas sejam atualizados conforme a Lei Complementar nº 227/2026.
O ADI tem validade até 31 de março de 2026. Para intimações realizadas até essa data, os contribuintes devem observar o prazo mais favorável entre "20 dias úteis" ou "30 dias corridos".
A LC 227/2026 alterou o Decreto nº 70.235/1972, modificando prazos para impugnações e recursos no processo administrativo fiscal, que passam a ser contados em dias úteis. A Receita também publicou guia de Perguntas e Respostas sobre as mudanças.
MERCADO & COMPLIANCE
OAB envia ao STF balizas para Código de Ética dos ministros

Foto: OAB/RN.
A OAB Nacional enviou ofício ao STF em 04 de fevereiro apresentando balizas institucionais para orientar a elaboração de um Código de Ética para os ministros da Corte.
O documento foi assinado por Beto Simonetti e construído com participação dos 27 presidentes de seccionais. A OAB defende elaboração com prudência, método e densidade normativa, assegurando transparência e integridade sem restrições às garantias constitucionais.
Mais de 50 organizações da sociedade civil, incluindo a Transparência Brasil, apoiam a proposta. Entre as sugestões estão vedação de julgamentos com parentes até terceiro grau, quarentena de 3 anos após aposentadoria e divulgação de agenda atualizada dos ministros. O almoço para discutir o código está marcado para 12 de fevereiro.
PAUTINHAS
ENQUETE DO LEITOR
O Código de Ética do STF deveria incluir quarentena obrigatória após aposentadoria dos ministros?
🔘 Sim, de pelo menos 3 anos
🔘 Não, fere garantias constitucionais
🔘 Depende das atividades vedadas
A Relatoria | Sua dose diária de inteligência jurídica.
De segunda a sexta, no seu e-mail.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui opinião legal.